Shinohara Chie

Texto feito por: Millarca (Hwey)

Nome original: 篠原千絵
Nascimento: 15 de Fevereiro
Sexo: Feminino
Origem: Kanagawa, Japão

Por que você deveria conhecer a Chie?

Ela é uma das mangakás mais conhecidas e condecoradas do Japão, foi responsável (junto com outras/os é claro) pelo que você conhece como shoujo nos dias de hoje. Mas, mais do que isso, ela é a rainha do shoujo de terror.

Shoujo de terror? Quase todo mundo, ao se falar em shoujo, imagina uma garota em situação escolar que de alguma forma se apaixona por um rapaz e passa o mangá todo no vai e vem, no mela mela, no amo ou não amo. Esse é o shoujo mais vendido no ocidente, o shoujo de romance cotidiano. Embora todos tenham romance, isso é inegável, muitos não põe isso em destaque, no caso de shoujos de terror, há o suspense, o sobrenatural, a morte e até ação e aventura.

Apesar de ser tudo shoujo, constantemente ela fala sobre temas mais pesados com violência, assassinato, sexo, intrigas políticas e até umas cenas yaoi perdidas por aí.

Chie, também, não tem medo de matar personagem e torturar seus protagonistas; final feliz para ela tem um toque de realidade, acaba feliz, mas com um caminho duro e sofrido (pelo menos feliz para quem sobrevive…).

Além disso, Chie é conhecida por ter um passo muito rápido e arcos bem curtos, a história evolui muito, muito rápido, não é como aqueles shoujos de 20 volumes que passam uns 5 numa mesma cena, ela não admite enrolação.

Um dos motivos para toda essa rapidez é que, por serem obras de suspense, acabar naquelas partes mais agonizantes e te matard e curiosidade é mais que obrigatório. Muito similar ao que acontece nos romances europeus de suspense (que ela admite ser uma grande influência).

Seu desenho também é algo de chamar atenção, não é um traço rebuscado e pesado, mas muito leve, limpo e claro. Suas páginas são geralmente muito claras e com destaque aos olhos e às emoções da/o protagonista.

A autora também dá muita atenção aos detalhes, por exemplo, em suas obras históricas as roupas e modo de vestir são todos baseados em fotos e documentos turcos, cuidadosamente desenhados. Os cabelos dos personagens é outro detalhe que chama a atenção, todos os protagonistas tem penteados diferentes e dos mais diferentes tipos. Nos mangás, esses cabelos estão sempre em movimento, até auxiliando a visualização da ação. Muito diferente daquelas mangakás que todos os personagens são a cópia um do outro. A autora também se sai muito bem nas cenas de ação, retratando os movimentos com muita clareza.

Um pouco da autora

Chie Shinohara nasceu em 15 de fevereiro em Kanagawa, Japão. Ela é uma moça reservada, na casa dos 40~50 anos, não fala muito sobre si mesma, mas pode passar horas falando de seus inúmeros e amados gatos.

Seus passatempos são dirigir, jogar golfe e, claro, brincar com seus gatinhos. Sua mangaká favorita é a artista de Boy’s Love “Keiko Takemiya”, uma senhora já nos seus 60-70 anos que faz yaoi com história.

Seu primeiro trabalho publicado foi “Akai Densetsu”, em 1981 na revista Coronet (extinta nos dias atuais). E desde então suspense e terror tem sido constante em suas obras. A partir daí, pela editora Shogakukan, a autora passou a fazer mais histórias curtas (yomikiris).

Em novembro de 1983, ela começou sua primeira série longa: “Yami no Purple Eyes“. Yami no Purple Eyes foi serializado na Sho-Comic e teve 12 volumes, tendo sido completado em 1987. No mesmo ano, recebeu o prêmio da Shogakukan de melhor shoujo. Em 1995 a série foi relançada em formato bunkoban, com 7 volumes ao todo.

Em junho de 1984, as histórias “Houmonsha wa Mayonaka ni…”, “Soshite 5-kai no suzu ga naru” e “Yasashii satsujin-sha” foram encadernadas em um único volume que recebeu o nome da primeira, “Houmonsha wa Mayonaka ni…”. Mais tarde este se tornaria o primeiro volume de uma coleção de antologias chamada “Shinohara Chie Kessakushuu“.

Durante a produção de Yami, a autora também continuou a fazer pequenas histórias. Entre elas “Mokugekisha ni sayounara”, “Fuyu no hana wa chinkon hana”, “Crystal Doll”, “Nemuru machi”, junto com Akai Densetsu foram encadernadas em um volume chamado “Mokugekisha ni Sayounara” em 1986.

Ainda nesse período as histórias “Gozen 0-ji no Toubousha”, “Nani ka ga Yami de Miteiru”, “Jisatsu Shitsu Room Number 404″ e “Weekend no Joutaijou”, foram encadernadas também com o nome “Nanika ga Yami de Miete Iru”. Ambos os volumes foram parte do “Shinohara Chie Kessakushuu”, representado o volume 2 e 3 respectivamente.

Em 1987 a autora passou para sua próxima série “Umi no Yami, Tsuki no Kage”. A série teve 18 volumes, sendo concluída em 1991. Em 1997 foi relançada em formato bunkoban com 11 volumes.

Ao mesmo tempo que Umi no Yami, Tsuki no Kage, Chie serializou “Ryouko no Shinrei Jikenbo“, um mangá shoujo sobrenatural na Ciao, de 1987 até 1991, finalizando em 4 volumes. Ainda em 1996 a série foi relançada em formato bunkoban com 2 volumes.

Após completar as duas séries, Chie não descansou e pulou para sua próxima obra, “Ao no Fuuin“. Este mangá teve 11 volumes de 1991 a 1994 e uma versão bunkoban de 7 volumes em 1999.

Enquanto publicava “Ao no Fuuin”, lançou o último volume da coleção “Shinohara Chie Kessakushuu”, “3 Hitome ga Kieta” em 1992, contendo “3 Hitome ga Kieta”, “Kootta Natsu no Hi” e “Satsui ni wa Aoi Ribon o Kakete”.

Em 1995, a coleção de antologias também foi reimpressa em formato bunkoban em 2 volumes. Os volumes 1 e 2 receberam o nome “Soshite Gokai no Suzu ga naru” e os volumes 3 e 4 de “Kootta Natsu no Hi”. Em 2005 toda a coleção, volumes 1 a 4, foram reimpressos na versão “On-demand”. Basicamente uma reimpressão devido ao esgotamento do mesmo.

Foi também em 1995 que veio sua segunda grande obra, “Sora wa Akai Kawa no Hotori” (Anatolia Story ou ainda Red River), também seu primeiro shoujo histórico. Anatolia terminou em 2002, com 28 volumes. Um pouco antes de seu fim, em 2001, recebeu outro prêmio de melhor shoujo da Shogakukan. Em 2006 foi relançado em versão bunkoban com 16 volumes. É um dos shoujos de maior vendas no Japão.

Já em 1996, produziu duas histórias policiais que foram encadernadas no volume “Toubou Kyuukou” (Escape Express), sendo elas “Toubou Kyuukou”, “Shissou toshi” e, o extra, “Sarudemo Dekiru Gardening”. Em 2002, o volume foi relançado como bunkoban, contendo as histórias: “Toubou Kyuukou”, “Shissou toshi”, “Shikeidai no 72-jikan” e “Katte Nonde Asonde Denmark”. Ainda em 2008, a versão tankoubon foi revisada e relançada com mesmo formato original.

Após o final de Anatolia, a autora tirou umas férias, as primeiras em muito tempo, e acabou partindo para uma viagem para a Turquia, onde a história de Anatolia se passou. Como resultado dessa viagem em 2003, fez “Akatsuki ni Tatsu Lion“.

Além da história principal, o volume de “Akatsuki ni Tatsu Lion” também incluiu “Turkey Shuzai Zakki”, um diário da viagem da autora. A versão em bunkoban, lançada em 2011 incluiu mais 2 histórias que já haviam sido lançadas anteriormente em outros volumes.

Em 2004 a autora começou uma nova obra, “Mizu ni Sumu Hana“, com 5 volumes, sendo concluído em 2006. A versão bunkoban teve 3 volumes e foi lançado em 2010.

Em 2006 a autora diminuiu seu ritmo, trabalhando com uma série mensal chamada “Kiri no Mori Hotel“, que na verdade é mais uma coleção de pequenos contos que ocorrem num mesmo hotel.

Além de, no mesmo ano, continuar trabalhando com mais histórias curtas, inclusive lançando outra antologia chamada “Umi ni Ochiru Tsubame” com 3 história inéditas.

 

Enquanto pegava leve nos mangás, explorou um novo formato, os da Light Novels. Durante 2007 e 2010 lançou 5 volumes de “Sora wa Akai Kawa no Hotori Gaiden”, que contam a infância dos Príncipes de Anatolia.

Em 2008 começou “Tokidamari no Hime“, uma série curta de 2 volumes, finalizados em 2009. E também lançou no mesmo ano “Kaettekita Musume”, uma outra light novel, mas dessa vez original, com 6 volumes.

Ainda em 2008, foi lançado “Shinohara Chie the Best Selection”, uma coleção de 2 volumes com as melhores história da autora. Parte de uma coleção da editora, com “Best Selections” de várias outras autoras, mas nada inédito, entretanto.

Em 2010, a autora passou a serializar uma nova obra mensal na novíssima Anekei Petit Comic (uma revista shoujo voltada para mulheres de 30 anos). Esta obra chamada “Yume no Shizuku, Kin no Torikago” é seu segundo shoujo histórico, embora este aqui seja muito menos aventura e fantasia.

Entre 2011 e 2012, a autora completou 30 anos de trabalho! Como celebração do fato foi montado uns livros com entrevistas, imagens, fotos e várias coisas, um DVD também, sobre o trabalho da autora, chamado “Anniversary Box ~ Ay”, nele foram incluídos vários omakes, inclusive aquele de Akatsuki ni Tatsu Lion e 2 one-shots; um extra de Yami no Purple Eyes chamado “Panthers” e “Sergei Oukoku no Kage Tsukai” um curta de 2009.

Em 2013, fez parte da coleção Masterpiece da editora com um volume chamado “Itsuka Mita Sora”. Além de vários extras enciclopédicos, o volume possui algumas yomikiris (Algumas repetidas): Toubou Kyuukou, Akatsuki ni Tatsu Lion, Sora no Shoushitsuten, Sara no Kagaribi, Kataribe Densetsu e Ten Ookami Hoshi ni Kike.

Além de tudo isso, ela colaborou com algumas histórias sobre gatos para alguns especiais em 2003 e 2008.

Adaptações e Curiosidades

Mesmo sendo famosa, shoujo de terror é nicho, por isso é complicado ter animes, OVAs e tudo mais. Mesmo assim suas história tiveram vários áudio dramas e alguns novels feitos por outros autores, além de ocasionais OVAs e Live Actions, como o live de Mizu ni Sumu Hana em 2006, o OVA em 1988 e o Drama em 1996 de Yami no Purple Eyes, dentre outros.

Além disso, vários artbooks e enciclopédia sobre seus trabalhos foram lançados no passar do tempo.

No mundo, suas obras foram muito bem aceitas na China/Taiwan, onde foram quase todas licenciadas. Mas também teve versões em coreano, inglês, alemão, italiano e vietnamita.

Suas obras de mais sucessos chegaram a vender mais de 500 mil cópias só no Japão, enquanto as menores flutuam entre 50 e 30 mil no mês de lançamento. Contando o número total em circulação, Anatolia, por exemplo, está entre os 15 shoujos mais vendidos do Japão, ganhando de títulos muito conhecidos por nós como: Fruits Basket, Sailor Moon, Sakura Card Captor, Candy Candy, Fushigi Yuugi, Rose of Versailles e Marmalade Boy.

Fica como curiosidade que chegou a haver um problema de plágio com a obra coreana de Mi-Ri Hwang, Legend of Nereid, onde várias cenas e imagens eram descaradamente cópias de Anatolia. Na verdade, se alguém parar e ler com atenção tudo que aparece ali tem em Anatolia de forma similar. Mas nunca houve, pelo menos público, nenhuma briga ou processo judicial.

Além de tudo isso, Anatolia (Sora wa Akai Kawa no Hotori) ganhou uma apresentação especial no Cirque du Soleilem 2009.

 

Obras Importantes

(1984-1987) Yami no Purple Eyes (12 volumes, 7 bunko)
(1987-1991) Umi no Yami, Tsuki no Kage (18 volumes, 11 bunko)
(1988) Ryouko no Shinrei Jikenbo (4 volumes, 2 bunko)
(1992-1994) Ao no Fuuin (11 volumes, 7 bunko)
(1995-2002) Sora wa Akai Kawa no Hotori (Anatolia Story)(28 volumes, 16 bunko)
(2004-2005) Mizu ni Sumu Hana (5 volumes, 3 bunko)
(2006-2013) Kiri no Mori Hotel (2 volumes)
(2008-2009) Tokidamari no Hime (2 volumes)
(2010+) Yume no Shizuku, Kin no Torikago (4 volumes, ainda em produção)

 

Antologias

 

  • (1984) Shinohara Chie Kessakushuu 1 (Houmonsha wa Mayonaka ni…)
  • × Houmonsha wa Mayonaka ni…, Soshite 5-kai no suzu ga naru, Yasashii satsujin-sha.
  • (1986) Shinohara Chie Kessakushuu 2 (Mokugekisha ni Sayounara)
  • × Mokugekisha ni sayounara, Fuyu no hana wa chinkon hana, Crystal Doll, Nemuru machi, Akai densetsu.
  • (1986) Shinohara Chie Kessakushuu 3 (Nanika ga Yami de Miete Iru)
  • × Gozen 0-ji no Toubousha, Nani ka ga Yami de Miteiru, Jisatsu Shitsu Room Number 404, Weekend no Joutaijou.
  • (1992) Shinohara Chie Kessakushuu 4 (3 Hitome ga Kieta)
  • × 3 Hitome ga Kieta, Kootta Natsu no Hi, Satsui ni wa Aoi Ribon o Kakete.
  • (1996/2002/2006) Toubou Kyuukou – Escape Express
  • × Toubou Kyuukou (Escape Express), Shissou toshi, Sarudemo Dekiru Gardening (Shikeidai no 72-jikan, Katte Nonde Asonde Denmark).
  • (1997/2005/2006) Umi ni Ochiru Tsubame
  • × Umi ni Ochiru Tsubame, Kioku no Ashioto, Shikeidai no 72-jikan.
  • (2013) Itsuka Mita Sora
  • × Toubou Kyuukou, Akatsuki ni Tatsu Lion, Sora no Shoushitsuten, Sara no Kagaribi, Kataribe Densetsu, Ten Ookami Hoshi ni Kike.


Artbooks, databooks e outras publicações

  •  (1987) “Yami no Purple Eyes” Shinohara Chie Illustration-shuu
  • × Possui Yami no Purple Eyes – Bangaihen – PANTHERS.
  • (1991) “Umi no Yami, Tsuki no Kage” Shinohara Chie Illustration-shuu
  • (1999) Shinohara Chie World Guide 1981-1999
  • (1999) “Sora wa Akai Kawa no Hotori” Fukusei Gengashuu Ishtar
  • (2002) “Sora wa Akai Kawa no Hotori” FANBOOK ~Ishtar Bunsho~
  • × Possui Sora wa Akai Kawa no Hotori – Tokubetsuhen.
  • (2012) 30th Aniversary – Ay
  • × Yami no Purple Eyes – Bangaihen – PANTHERS, Sergei Oukoku no Kage Tsukai, Sora wa Akai Kawa no Hotori – Tokubetsuhen, Hidamari no Refrain, Kita no hanagoyomi.

 

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